“As Duas Faces da Lua” sai em Setembro | com prefácio de Neil Armstrong

as_duas_faces_da_luaA editora Mill Books vai lançar a 24 de Setembro “As Duas Faces da Lua”, um livro sobre a corrida espacial vista pelos dois lados da Guerra Fria. Assinada em conjunto pelos astronautas David Scott (EUA) e Alexei Leonov (União Soviética) trata-se de uma obra que irá enriquecer a quase inexistente bibliografia sobre a conquista do espaço editada em Portugal.
O prefácio da obra é assinado pelo conhecido astronauta Neil Armstrong (o primeiro homem a pisar a Lua) e a introdução pelo actor Tom Hanks.

PREFÁCIO

Em “As Duas Faces da Lua”, David Scott e Alexei Leonov recontam a preparação e a realização da competição não-militar mais elaborada da História. Ambos viriam a desempenhar um papel vital e de grande destaque neste desafio. Como em todas as grandes competições, o sucesso depende de uma combinação de perícia, preparação e alguma sorte. Certamente todos estes factores foram decisivos para ambas as partes. O leitor irá recolher visões pormenorizadas de estratégias, êxitos, preocupações e tragédias de cada equipa. É muito pouco provável que a corrida espacial fosse o desvio das atenções que evitava a guerra. Contudo, continuava a ser uma diversão que constituía um escape que substituiu a política de intimidação do início da década de 50 e que poderia ter levado ao conflito armado. A disputa era intensa e favoreceu uma via mais nobre, tendo como objectivos a ciência e o conhecimento. Eventualmente, possibilitou um mecanismo que viria a fomentar a cooperação entre rivais, proporcionando um legado duradouro – um enorme avanço na compreensão da nossa vizinhança cósmica e, naturalmente, da própria Terra.
De uma forma geral, acredita-se que a era espacial teve início devido à Guerra Fria entre o Ocidente, encabeçado pelos Estados Unidos, e pelo Bloco de Leste, liderado pela União Soviética. Esta crença não corresponde inteiramente à verdade. Na realidade, a era espacial começou devido a um evento científico conhecido como o “Ano Internacional da Geofísica”. Sessenta e seis países reuniram-se para analisar o planeta Terra e respectivos subúrbios: oceanografia, meteorologia, actividade solar, os campos magnéticos da Terra, a atmosfera superior, os raios cósmicos e meteoros. O Ano Internacional da Geofísica foi planeado entre 01 de Julho de 1957 e 31 de Dezembro de 1958. Na verdade, foi o Ano Internacional da Geofísica e Meio. Foi escolhido este período, porque coincidiu com a actividade máxima de manchas solares. Todos os tipos de fenómenos eléctricos, magnéticos e meteorológicos pareciam estar relacionados de algum modo com manchas solares.
Os cientistas soviéticos e americanos reconheceram que, se fosse possível colocar um objecto feito pelo homem em órbita, à volta da Terra, seria a plataforma perfeita para sensores e instrumentos de medição mensurarem as características do mundo natural para o qual foi criado o Ano Internacional da Geofísica.
Não se aperceberam então que estavam a inaugurar um novo desafio que viria a ser conhecido como a “corrida espacial”. Os soviéticos partiram em ligeira vantagem com o lançamento bem sucedido do primeiro satélite em órbita da Terra, o Sputnik. Aumentaram a sua vantagem com uma série de “primeiros”: foram os primeiros a pôr um ser vivo – um cão – em órbita; os primeiros a pôr um homem no espaço; primeiros a terem uma pessoa a sair de uma nave espacial; os primeiros a pôr uma mulher em órbita; os primeiros a lançar uma nave espacial com uma tripulação e os primeiros a fazer voar sondas não tripuladas à Lua, Vénus e Marte.
O programa norte-americano ficou substancialmente para trás, mas não estava moribundo. Os americanos ficaram embaraçados, mas desejavam avidamente fazer parte da corrida e estavam determinados a obter êxito. O presidente dos EUA, John F. Kennedy, pediu à National Aeronautics and Space Administration para fornecer um relatório sobre a sua capacidade para competir com os soviéticos. Os oficiais da NASA disseram ao Presidente que os Estados Unidos não podiam fornecer o primeiro laboratório espacial e tinham apenas uma ténue hipótese em serem os primeiros a voar à volta da Lua.
Ainda que isto fosse uma arena sobre a qual ele pouco sabia, Kennedy concluiu que os Estados Unidos deveriam entrar na corrida e apresentar um bom desempenho. Recebeu o apoio do Congresso e do povo americano. A corrida tinha começado.
Este livro é a história dessa corrida nas versões de dois dos seus principais intervenientes em competição. Cada um dos lados respeitava o outro. Efectivamente, eles podiam compreender, talvez melhor do que ninguém, os problemas, desafios e riscos. Em raras ocasiões, os concorrentes participaram em eventos internacionais e conferências de âmbito técnico durante breves períodos e simpatizavam entre si, ainda que, estando em lados opostos da barricada, não sabiam se podiam confiar na outra parte.
“As Duas Faces da Lua” intercala a táctica do programa soviético e o esforço norte-americano. O leitor irá conhecer os planos desenvolvidos nos centros de treino e de operações em Moscovo e em Houston e irá viver com os cosmonautas e astronautas nas respectivas naves espaciais, à medida que aprendem a viver e a sobreviver no espaço perigoso e hostil.
Dave Scott e Alexei Leonov assumiram a enorme responsabilidade de comandar a nave espacial e de representar os respectivos países na mais fascinante e dispendiosa corrida da história humana. Este é o relato sublime dessa competição.

Neil Armstrong, 2004

~ por aia2009 em 4 de Agosto de 2009.

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