Stardust descobre Aminoácido no cometa Wild 2 | Seremos extraterrestres?

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Concepção artística da sonda Stardust aproximando-se do cometa Wild 2 para atravessar a sua cauda de gás e poeira. A área branca representa o núcleo do cometa. A grade colectora é o dispositivo com formato de raquete de ténis que se estende para fora da traseira da nave espacial. Crédito: NASA/JPL

Os cientistas da NASA descobriram o aminoácido glicína numa das amostras do cometa Wild 2 recolhidas pela sonda Stardust da NASA. Estae aminoácido, um dos blocos fundamentais da vida.

A Glicína é um dos Blocos Fundamentais para a Vida

“A glicína é um aminoácido usado pelos organismos vivos para construir proteínas e esta é a primeira vez que se descobre um aminoácido num cometa”, declarou a Dra. Jamie Elsila do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA. “A nossa descoberta suporta a teoria que alguns dos ingredientes da vida se formaram no espaço e foram trazidos para a Terra há muito tempo atrás por impactos de meteoritos e cometas.”

Dra. Jamie Elsila é a autora principal desta pesquisa, a ser publicada na revista Meteoritics and Planetary Science. A pesquisa foi apresentada a 16 de Agosto, durante uma reunião da Sociedade Química Americana em Washington, EUA.

Missão Stardust: dois grandes impactos das partículas no aerogel estão bem vísiveis.

Missão Stardust: dois grandes impactos das partículas no aerogel estão bem vísiveis.

“A descoberta da glicína num cometa, suporta a ideia que os principais blocos da vida são provenientes do espaço e fortalece o argumento de que a vida no Universo pode ser comum em vez de rara”, disse o Dr. Carl Pilcher, director do Instituto de Astrobiologia da NASA, um dos patrocinadores a pesquisa.

As proteínas são os blocos fundamentais na construção das moléculas da vida, usadas em tudo, desde as estruturas como os cabelos até as enzimas, os catalisadores que aumentam ou regulam as reacções químicas. Assim como as 26 letras do alfabeto são organizadas em combinações quase ilimitadas para formar palavras, a vida usa 20 diferentes tipos de aminoácidos numa gigantesca variedade de combinações para construir milhões de diferentes proteínas.

 Concepção artística das partículas colectadas pelo aerogel. As áreas esverdeadas representam o aerogel. Os choques com o material colectado são as manchas em verde-claro nas áreas em forma de gotas. As partículas são representadas por pontos na base das gotas. Crédito: NASA/JPL

Concepção artística das partículas colectadas pelo aerogel. As áreas esverdeadas representam o aerogel. Os choques com o material colectado são as manchas em verde-claro nas áreas em forma de gotas. As partículas são representadas por pontos na base das gotas. Crédito: NASA/JPL

A sonda Stardust passou pela densa nuvem de gás e poeira que rodeava o núcleo do cometa gelado do Wild 2, a 2 de Janeiro de 2004. À medida que a Wild 2 atravessava este material, uma grade especial colectora, cheia de aerogel (um material esponjoso, composto por mais de 99% espaço vazio), gentilmente capturava amostras de gás e da poeira do cometa. A grade com aerogel ficou alojada numa cápsula que foi libertada da sonda e desceu à Terra a 15 de Janeiro de 2006, com ajuda de pára-quedas. Desde então os cientistas de todo o mundo estiveram ocupados a analisar as amostras para compreender melhor os segredos da formação dos cometas e a história do nosso Sistema Solar.

“Na realidade, nós analisamos as folhas de alumínio dos lados das pequenas câmaras que continham o aerogel na grade de colecção”, disse Elsila. “À medida que as moléculas de gás passam pelo aerogel, algumas colam-se às camadas. Passámos dois anos a testar e desenvolver o nosso equipamento, para torná-lo preciso e sensível o suficiente para analisar tais amostras incrivelmente minúsculas”.

Manipulação da grade com aerogel na sala limpa

Manipulação da grade com aerogel na sala limpa

Anteriormente, já algumas análises preliminares nos laboratórios Goddard, tinham detectado a glicína, tanto nas folhas de alumínio como numa amostra do aerogel. No entanto, como a glicína é usada pela vida terrestre, no início, a equipa não foi capaz de eliminar a hipótese de contaminação a partir de fontes na Terra. “Era possível que a glicína, que descobrimos originalmente, fosse proveniente do manuseio ou da fabricação da própria Stardust”, disse Elsila. A nova pesquisa usou análises isotópicas da folha para eliminar esta possibilidade.

Os isótopos de carbono confirmam a origem extraterrestre da glicína

Os isótopos são variações do mesmo elemento químico com diferentes pesos ou massas. Por exemplo, o elemento mais comum do carbono, o Carbono 12, tem seis protões e seis neutrões no seu centro (núcleo). No entanto, o isótopo de Carbono 13 é mais pesado porque tem um neutrão a mais no seu núcleo. Uma molécula de glicína espacial tende a ter mais átomos de Carbono 13 que a glicína encontrada na Terra. Isto foi o que a equipa descobriu. “Nós descobrimos que a glicína trazida pela Stardust tem uma “assinatura isotópica” de carbono extraterrestre, indicando que é originaria do cometa”, disse Elsila.

O Dr. Daniel Glavin e Dr. Jason Dworkin do instituto Goddard da NASA também participaram na equipa de investigação. “Com base nos resultados da folha e do aerogel, é altamente provável que o lado inteiro do cometa exposto à grade de colecção da Stardust esteja recheado com glicína que seja originada no espaço”, acrescentou Glavin.

Partícula do cometa Wild 2 capturada no aerogel da grade de colecção da sonda Stardust

Partícula do cometa Wild 2 capturada no aerogel da grade de colecção da sonda Stardust

“A descoberta dos aminoácidos nas amostras do cometa é muito excitante e profunda”, disse Donald E. Brownlee, professor da Universidade de Washington em Seattle e líder da pesquisa da Stardust. “É também um triunfo impressionante que realça as capacidades avançadas dos estudos em laboratório de materiais extraterrestres primitivos”.

A sonda Stardust ('poeira das estrelas'), ilustrada pela NASA/JPL

A sonda Stardust ('poeira das estrelas'), ilustrada pela NASA/JPL

A pesquisa foi patrocinada pelo programa Stardust Sample Analysis da NASA e pelo NASA Astrobiology Institute.

O JPL (Jet Propulsion Laboratory), em Pasadena, California, coordena a missão Stardust e responde ao Science Mission Directorate da NASA em Washington, EUA.

A organização Lockheed Martin Space Systems, em Denver, Colorado desenvolveu e operou a sonda Stardust.

Para aprender mais sobre a missão Stardust, visite http://stardustnext.jpl.nasa.gov .

Para mais informações sobre a equipa de astrobiologia do centro Goddard da NASA, visite: http://astrobiology.gsfc.nasa.gov/analytical .

Fontes e Referências:

NASA: NASA Researchers Make First Discovery of Life’s Building Block in Comet

Astronomy.com: Life’s building block discovered in comet

Science Daily:

Space.com: Life’s Building Block Found in Comet

New Scientist: Found: first amino acid on a comet por Maggie McKee

Centauri Dreams: Amino Acid Detected in Comet Debris

~ por aia2009 em 29 de Agosto de 2009.

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