Via Láctea – por Francisco Mendes | 1 minuto de Astronomia

João Fernandes

Se tivermos a sorte de desfrutar de uma noite de céu limpo de nuvens e sem a poluição luminosa dos grandes centros urbanos, poderemos detectar uma estreita faixa nebulosa que cruza o firmamento, passando por algumas das constelações mais conhecidas, tais como o Sagitário, o Escorpião ou a Cassiopeia. Esta faixa é a Via Láctea. As origens deste nome perdem-se no tempo, porém é de assumir que a sua aparência contínua e esbranquiçada tenha levado os antigos à analogia com o leite. Apesar de esta designação ser universalmente aceite, podemos encontrar em diferentes épocas e culturas outros nomes, tais como a “Estrada de Santiago” (Península Ibérica), a “Estrada de Inverno” (Suécia) ou o “Rio de Prata” (usado por vários povos Orientais).

Mas o que é afinal a Via Láctea? A ideia da Via Láctea mais parecida com o que hoje sabemos dela, surge apenas em finais do século XVIII pelo astrónomo inglês Friedrich Wilhelm Herschel. Porém, no livro “A refutação de todas as heresias” de Santo Hipólito  pode ler-se que o filosofo grego Anaxágoras já atribuía às estrelas a luminosidade da Via Láctea. A Via Láctea é, então, constituída por dezenas de milhares de milhões de estrelas, sendo o Sol uma delas. A Via Láctea é uma galáxia. É a nossa galáxia.

Se tivéssemos a possibilidade de fazer uma fotografia do plano da Via Láctea obteríamos algo parecido com a imagem da Figura 1: as estrelas, maioritariamente distribuídas ao longo de um disco, em enormes braços em espiral, e um centro galáctico extremamente luminoso (na qual se pensa existir um colossal buraco negro). O Sol ocupa a periferia da galáxia, “sentado” num dos braços – o braço do Sagitário.

Por outro lado, uma fotografia tirada pela sonda espacial Cosmic Background Explorer (COBE), na direcção do centro da Via Láctea, mostra uma imagem de topo: um centro, aproximadamente esférico, de onde saem os, já referidos, finos braços em espiral. Para além disso, os braços em espiral têm um movimento de rotação em torno do centro galáctico, levando consigo as estrelas que os constituem num enorme movimento de translação. O Sistema Solar demora aproximadamente 250 milhões de anos a fazer uma volta (galáctica) completa. Sendo que a idade do Sol é de 5000 milhões de anos, podemos concluir que já “demos” 20 voltas à galáxia.

A Via Láctea é assim considerada uma galáxia espiral, com um disco de raio igual a 50 mil anos-luz, encontrando-se o Sistema Solar, a cerca de 25 000 anos-luz do centro da galáxia.

Já falamos do disco e do centro (núcleo) galácticos, duas das principais estruturas que constituem a Via Láctea. Falta ainda referir uma terceira: o halo. O halo galáctico é uma zona esférica que envolve o disco e o núcleo da Via Láctea. Esta estrutura é constituída essencialmente por aglomerados (ou enxames) de estrelas que orbitam em torno do centro da galáxia. Estes aglomerados são eles próprios esféricos, com diâmetros que rondam 100 anos-luz (portanto, muito mais pequenos que a galáxia), e são constituídos por milhares de estrelas. Estes objectos são particularmente importantes de estudar, já que as estrelas que os constituem são velhas e por isso são excelentes indicadores dos primórdios da formação da galáxia.

Em 1994, um grupo de astrónomos ingleses, R. A. Ibata, G. Gilmore e M. J. Irwin, anunciou ao Mundo um dos mais espantosos resultados sobre a Via Láctea, obtidos nos últimos anos: a descoberta da galáxia de Sagitário, uma galáxia anã muito próxima da Via Láctea, que está a ser desmembrada pela força de atracção gravitacional da nossa própria galáxia. A imagem da Figura 3 mostra uma simulação numérica deste fenómeno: em azul, a Via Láctea e em vermelho, a galáxia de Sagitário. O ponto amarelo representa a posição do Sol. Por outro lado a galáxia de Sagitário veio destronar as Pequena e Grande Nuvens de Magalhães, até então consideradas as galáxias mais próximas da nossa.

Mas, da mesma forma que o Sol é uma estrela entre milhares de milhões existentes na Via Láctea, a nossa galáxia é uma em milhares de milhões de outras tantas galáxias. Mas nada que desincentive os astrónomos, pelo trabalho envolvido. É que conhecer bem a nossa galáxia pode ajudar (e muito) a conhecer as outras.

~ por aia2009 em 6 de Novembro de 2009.

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