A Lua tem mais água do que se pensava…

A Lua tem água, muita água escondida nas suas crateras mais escuras, onde a luz do Sol nunca chega, suficiente para sustentar uma colónia humana – se alguma vez ela existir. Mas tem elementos químicos inesperados – como prata, dizem os cientistas que analisaram os resultados da missão LCROSS.

Mapa de crateras no Pólo Sul lunar, com locais de concentração de compostos químicos (Imagem: DR)

Estes dados foram recolhidos de uma forma bem pouco ortodoxa: uma parte de um foguetão foi atirada contra a cratera Cabeus, a 9 de Outubro de 2009, para que uma sonda em órbita (a LCROSS, ou a sigla em inglês de Satélite de Observação e Análise de Crateras Lunares) pudesse analisar a composição da nuvem de poeiras que se ergueu nos céus do Pólo Sul lunar em resultado da colisão.

Pela quantidade de hidrogénio que mediram na coluna de materiais ejectados, os cientistas calcularam que 5,6 por cento da massa da cratera, que tem entre 80 e 100 metros de diâmetro, seria simplesmente água congelada. Estimativas anteriores apontavam para que existisse um por cento – e isso já era considerado o suficiente para ser lucrativo explorá-la, se um dia se avançasse para construir uma base na Lua, realça o site da revista “Wired”, citando Anthony Colaprete, do Centro de Investigação Ames da NASA na Califórnia.

Isto é mais água do que se encontra no Sara, como diz o “New York Times”: neste deserto, aqui na Terra, a água chega a ser apenas dois a cinco por cento da composição da areia que o caracteriza, em algumas zonas mais secas, diz ainda Colaprete.

Mas, além da água – que podia servir não só para os astronautas beberem como para produzirem combustível para alimentar foguetões para uma eventual viagem a Marte – a Lua está longe de ser um deserto poeirento e desinteressante, como se poderia pensar à primeira vista. “Esta cratera é uma verdadeira arca do tesouro de elementos químicos, de compostos que foram libertados um bocado por todo o lado na Lua e que acabaram aqui, como num balde, guardados na escuridão permanente”, comentou o geólogo planetário Peter Schultz, da Universidade Brown, em Rhode Island, citado num comunicado de imprensa.

Uma das surpresas foi a descoberta de prata, que pode estar numa camada de rochas abaixo da superfície e bastante mais concentrada do que as 100 partes por mil milhões em que foi detectada nas rochas lunares trazidas para a Terra pelos astronautas norte-americanos das missões Apolo, entre 1969 e 1972, sublinha o site da revista “New Scientist”.

E o que estará a fazer concentrar a prata? Isso é um mistério a que os geólogos gostariam de dar resposta. Na Terra, a água a fluir é um factor importante – mas não há água líquida na Lua.

No fundo, não há sequer certeza de que os dados enviados para a Terra pela missão LCROSS correspondem realmente à verdade: “Precisamos mesmo de uma missão robótica de superfície, de um ‘rover’”, como os robôs que têm ido a Marte, disse Paul Spudis, do Instituto Lunar e Planetário, em Houton, no Texas, citado pela “New Scientist. “Precisamos de medições feitas no local antes de poder realmente acreditar.”

in Publico.pt (veja a notícia original aqui)

~ por aia2009 em 24 de Outubro de 2010.

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