Alunos Portugueses descobrem novo asteróide…

Alunos da Escola Secundária de Alvide (Descobridores do asteróide 2011 BG16)

Alunos de 15 escolas portugueses participaram nas últimas campanhas de procura de asteróides promovidas pela  International Asteroid Search Collaboration (Colaboração Internacional para a Procura de Asteróides). Durante a campanha, que decorreu de 13 de Dezembro a 21 de Janeiro (All Portugal Campaign) dezenas de objectos foram observados. Na campanha que decorre de 24 de Janeiro a 11 de Março (Campanha Internacional), pela primeira vez em Portugal, escolas participantes, descobriram novos asteróides. Um deles, terá nome português, o 2011

São já cerca de 20 escolas portuguesas que participam nesta colaboração internacional. A International Asteroid Search Collaboration (IASC) é um programa de ensino e divulgação científica que permite aos estudantes das escolas participantes a participação num importante programa da NASA. A partir do estudo de imagens obtidas por vários telescópios os estudantes contribuem para a detecção e determinação das órbitas de objectos cuja órbita é muito próxima do nosso planeta, os NEO (Near Earth Object).
Este programa internacional é extremamente concorrido, havendo escolas de todo o mundo a participar. Patrick Miller, o coordenador internacional do projecto,  após o sucesso das primeiras participações portuguesas, decidiu premiar os estudantes portugueses fazendo anualmente pelo menos uma campanha dedicada em exclusivo às escolas portuguesas e assim nasceram as “All Portugal Asteroid Search Campaign”.

Na campanha que decorreu em Dezembro/Janeiro último foram 15 escolas portuguesas a participar na campanha que recebeu o nome de All-Portugal Asteroid Search Campaign. Os resultados não poderiam ser melhores e os momentos de euforia foram muitos. Como memória fica o seguinte inventário:

75 observações de NEOs – Terceiras e quartas observações de objectos já conhecidos e que permitem refinar o cálculo das suas órbitas.  Este é um passo fundamental para garantir que estes objectos não representam uma ameaça para o nosso planeta.

14 observações de Asteróides na Cintura Principal – Segundas observações de objectos localizados na cintura principal (entre Marte e Júpiter)

5 confirmações de NEOs – Segundas observações de NEOs confirmando a sua existência e ajudando a calcular a sua trajectória.

1 Virtual Impactor – Uma observação muito rara de um objecto numa órbita que poderá representar perigo para o nosso planeta. Estas observações são críticas para o Minor Planet Center (MPC), Harvard, e para o programa da NASA, pois permitem avaliar o risco de um impacto. Até hoje todos os VIO observados foram retirados da lista de objectos que apresentam risco de impacto com o nosso planeta. E isso só é possível com observações e uma melhor determinação da órbita destes objectos.

2 novos asteróides observados (apenas 1 confirmado) – Primeiras detecções de objectos ainda não conhecidos. (Um na campanha iniciada em Dezembro e outro na campanha Internacional)

Para os alunos da Escola Secundária de Alvide a euforia chegou quando ficou confirmado numa mensagem enviada pelo coordenador do projecto, o Prof. Patrick Miller a descoberta do asteróide. O email não podia ser mais encorajado:

“Greetings from the International Astronomical Search Collaboration.  Congratulations go to R. Costa, K. Manghnani, C.Martins, R. Pimenta, R. Silva, & R.Guerra from Escola Secundária 2,3 de Alvide (Portugal) for the discovery of the Main Belt asteroid 2011 BG16”.

O asteroide foi descoberto no dia 25 de Janeiro e confirmado em observações subsequentes (passo crucial para que a descoberta seja confirmada) e recebeu o nome provisório do Minor Planet Center (MPC) de Asteroid 2011 BG16.

Para a Prof. Ana Costa (coordenadora do projecto em Portugal) a notícia não podia ter um sabor mais doce. Com uma participação assídua nestas campanhas já há alguns anos teve o gostinho de ver esta primeira descoberta portuguesa acontecer na sua escola, a Escola Secundária de Alvide. Numa entusiasmada mensagem avisou todos os participantes da campanha e terminou com um grande OBRIGADA pelo esforço e empenho de todos os docentes que permitiram o estrondoso sucesso da participação Portuguesa. Os testemunhos dos estudantes envolvidos na pesquisa também deixam muito claro a importância da implementação deste tipo de projectos:

“…. achei interessante a forma como analisamos as imagens e me diverti imenso a procurar asteróides. Voltava a repetir esta experiência.”

“….. gosto de ajudar a NASA a procurar asteróides …. Quando acabam as aulas não gosto de ir pra casa, é um tédio, por isso venho pra cá. Divirto-me e aprendo coisas novas.”

“…descobri os asteróides graças a este projecto. Agora adoro procurar asteróides, espero continuar.”

“… gosto de trabalhar com colegas de outras turmas …..”
“… aprendo coisas novas ….”

Já os estudantes da Escola Secundária Augusto Gomes não tiveram a mesma sorte. Embora tenham identificado um objecto ainda não conhecido a descoberta perdeu-se por não ter sido possível voltar a observa-lo. É que estas descobertas não são simples, depois de observado o objecto é feito um relatório para o Minor Planet Center (entidade oficial da União Astronómica Internacional responsável pela coordenação de assuntos relacionados com os pequenos corpos do Sistema Solar).

Uma observação só se torna uma descoberta depois de o objecto ser observado uma segunda vez, o que tem de ser feito na semana a seguir. Caso isso não aconteça, a descoberta fica perdida. Se uma segunda observação acontece, ai então o MPC atribui um nome provisório e o objecto é observado pelos próximos 3 a 10 anos, até a sua órbita ficar completamente conhecida. Nessa altura o objecto recebe um nome e passa a fazer parte de um catálogo global. Os alunos da Escola de Alvide já se organizam para determinar o nome que vão propor à União Astronómica Internacional para baptizar o seu achado, um processo que ainda vai ter que aguardar alguns anos.

A campanha foi de tal modo bem sucedida que o Prof. Patrick Miller, responsável pelo projecto, já garantiu espaço para escolas portuguesas em todas as campanhas ao longo do ano, mas promete uma nova “All Portugal”  para o final de 2011.

Embora o entusiasmo de uma descoberta científica seja extremamente motivante, este programa trás para as escolas participantes, professores e alunos muitas valências.  Para a professora Tânia Pinto, da Escola EB23 Bernardino Machado esta é uma possibilidade para aumentar a cultura científica dos alunos, promover a mobilização de saberes culturais, científicos e tecnológicos, e para cooperar de forma colectiva em tarefas comuns. Os alunos referem tratar-se de uma experiência bastante enriquecedora, divertida e diferente do habitual.

A Prof. Carla Direitinho da Escola E23 D.Martinho Vaz de Castelo Branco refere que a actividade permite aos alunos ganhar competências na adopção de estratégias adequadas à resolução de problemas e à tomada de decisões. Permite envolver os alunos numa estratégia global de protecção da Terra, coloca-los no papel de investigadores e promover o gosto pela ciência.

Os alunos do clube de Astronomia da Escola EB23 Fernão de Magalhães dizem que o que os leva a participar nesta aventura é, em primeiro lugar, a vontade de melhor conhecer o nosso Universo e em segundo o encorajamento dado pela professora Marisa Guedes. O clube conta com 15 alunos do 12º que participam assiduamente na campanha.

O responsável pelo projecto é o Prof. Patrick Miller, um professor de matemática da Universidade Hardin-Simmons em Abilene, Texas, USA. Fundador deste programa em 2006 chama-o carinhosamente de ISAAC. Se lhe perguntarmos porque, tendo em conta que o acrónimo (IASC) não propõe esta leitura, ele responde com uma boa gargalhada e acrescenta: “Because it is  my project and I like it “  (“Porque este é o meu projecto e eu gosto do nome”).

Em Portugal o projecto é dinamizado pelo NUCLIO – (Núcleo Interactivo de Astronomia). A coordenadora do projecto é Ana Costa (professora de Físico-Química da Esc.Sec. de Alvide).  As acções de formação para os professores que participam no projecto decorrem no Centro de Interpretação Ambiental da Pedra do Sal em São Pedro do Estoril em Cascais e contam com o apoio da Câmara Municipal de Cascais. A próxima sessão decorre no dia 12 de Fevereiro, às 10:30. A participação é livre.

Ao todo participaram na All Portugal Asteroid Campaing 15 escolas de todo o país:

Leonor Cabral — Escola Secundária da Cidadela
Maria José Calado —  Escola Secundária de Sacavém
Paula Furtado — Escola Básica 2,3 Matilde Rosa Araújo
Ana Costa and Rita Guerra– Escola Secundária 2,3 de Alvide
Nelson Correia — Escola Secundária Maria Lamas
Maria dos Prazeres Guedes  and Maria Emília Guimarães– ESB3 Fernão de Magalhães
Nuno Figueiredo —  Escola Básica Duarte Lopes
Duarte Januário — Escola Secundária Augusto Gomes
Sandra Jorge — Colégio Campo de Flores
Carla Direitinho — Escola Básica 2,3 D. Martinho Vaz de Castelo Branco
Célia Miranda — Escola Secundária Sebastião e Silva
Margarida Alves —  Escola Secundária do Marco de Canaveses
Manuela Gomes, Fátima Aguiar and Nuno Caetano – Agrupamento de Escolas de S. João Da Talha
Penélope Coelho —  Escola Básica 2,3 de Alapraia
Tânia Pinto — Escola Básica 2,3 Bernardino Machado

in CienciaPT (ver aqui): http://www.cienciapt.net/pt/index.php?option=com_content&task=view&id=102857&Itemid=343

~ por aia2009 em 14 de Fevereiro de 2011.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: